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3:23 p.m. - 2004-12-14 Algumas Obsessões
![]() Os diretores Daniel Myrick e Eduardo Sánchez fizeram um
marketing diferente para o seu filme, lançado em 1999, A Bruxa de
Blair. Inicialmente, eles espalharam na internet que haviam sido
descobertas as filmagens de três jovens desaparecidos, que tinham
ido fazer um documentário sobre uma bruxa nas montanhas do estado do
Maryland (EUA); depois, quando do lançamento, várias pistas falsas foram
criadas para insinuar que a história era real: por exemplo,
os três atores principais atuaram com seus próprios nomes, além
de faltarem nas primeiras entrevistas de lançamento - tudo para
simular o seu "desaparecimento". Tudo isto deu um resultado muito acima do
esperado: inicialmente previsto para passar em poucas salas, a publicidade
boca-a-boca acabou fazendo com que a película tivesse um sucesso gigantesco: com
um custo de 50 mil dólares, A Bruxa de Blair rendeu 202 milhões.
A garota Heather Donahue e os rapazes Michael C.
Williams e Joshua Leonard são os três que vão nas montanhas da localidade de
Burkittesville (antiga Blair), no Maryland, para fazer um documentário sobre uma
bruxa lendária que morava por lá. Eles tomam vários depoimentos dos habitantes
das redondezas e depois vão para a floresta, onde diz-se que ela habita, para
continuar suas filmagens. Lá vários eventos estranhos começam a acontecer: vozes
de crianças chorando são ouvidas durante a noite, objetos de vodu são colocados
perto de suas barracas, que são agitadas e balançadas - e tudo isto é feito
sem que ninguém seja visto. Os três documentaristas se perdem na
floresta e ficam estressados (brigam entre si o tempo todo), com fome e
frio. O quer que seja que os está assustando os deixa num estado de
total desespero quando, depois de caminhar pela margem de um rio durante um
dia inteiro, à noite eles voltam ao lugar em que estavam pela manhã. A
situação vai ficando cada vez mais insustentável quando Josh some, e procurando
por ele, Heather e Michael acabam tendo um fim trágico.
A Bruxa de Blair utiliza uma técnica pouco usual:
toda a filmagem é feita pelos próprios atores - não se pode esquecer que
essas foram as fitas "encontradas" depois de seu "desaparecimento". Deste
modo, são freqüentes as cenas com câmera tremida ou comentários entre os
atores sobre o próprio ato de filmar: Heather, por exemplo, é muito
criticada pelos outros dois por usar as câmeras o tempo todo
- além disso, os três filmam à noite para poder enxergar com a luz do
flash.
Depois que desisitiram de manter a farsa de que o filme era
real, os diretores de A Bruxa de Blair declararam que tinham
largado os atores na floresta com poucos indicativos sobre o que eles deveriam
fazer: em outras palavras, boa parte do que se vê no filme é fruto de improviso.
Além disso, Daniel Myrick e Eduardo Sánchez também falaram que costumavam
assustar os atores à noite durante as filmagens - o que é difícil de acreditar,
diga-se de passagem.
Tudo isto pouco importa: a verdade é que o medo que os
atores parecem sentir, e que passam para os espectadores, é realmente grande - o
que explica o sucesso do filme. A Bruxa de Blair é muito, muito
assustador. É freqüente que quem o assistiu tenha arrepios quando revê o
seu cartaz, mostrado acima, que é uma foto da cena em que Heather, em
completo desespero, se confessa para a câmera pouco antes de seu final
trágico.
A sua continuação, A Bruxa de Blair 2 - O livro das
sombras (lançado no ano 2000) foi criada por outro diretor (Joe
Berlinger), e mostra uma pequena expedição que vai até a floresta de
Burkittesville para investigar o sumiço das três pessoas do primeiro da série.
Ao contrário deste, o segundo é um filme de formato convencional - mas com
um bom roteiro e quase tão assustador quanto o primeiro.
Pena que foi um fracasso retumbante de bilheteria,
dificultando seqüências posteriores. Os diretores do filme inicial da
série já comentaram sobre um projeto para criar um A Bruxa de
Blair 3, que contaria as origens da bruxa na década de 40 - mas ninguém
realmente garante que este filme seja
feito.
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