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3:17 p.m. - 2004-12-14 Algumas Obsessões
Louder than bombs é meu disco preferido
dos Smiths. "Ah, mas é uma coletânea!", dirão. Realmente, é uma coletânea.
O disco é uma sucessão inacreditável de canções
inesquecíveis: Sheila take a bow, Half a person, London,
Ask, Rubber ring... Mas este não é o primeiro disco que
eu indicaria a alguém interessado em conhecer a banda: acho que as também
coletâneas Singles ou Best of vols. 1 e 2 se prestam
melhor a este papel. Louder than bombs é para alguém já acostumado com
os Smiths: afinal de contas, a seqüência final do disco é de uma
melancolia poucas vezes vista na música: a profundidade, a pungência e
beleza de Stretch out and wait, Please, please, please, let me
get what I want, This night has opened my eyes, Unloveable
e Asleep definitivamente são melhor aproveitadas por quem já tem
algum tempo de estrada com o grupo em que Morrissey começou a
carreira.
E sempre que lembro desta seqüência literalmente
arrasadora acabo pensando em como este disco foi realmente criado para ser
ouvido em LP: ao mesmo tempo que as músicas citadas acima são as faixas 20 a 24
da versão em CD (disco único), elas são quase a totalidade do lado B do
segundo LP do (neste caso) álbum duplo Louder than bombs. Em
outras palavras, quem criou este lado do long play pensou
em destruir (ou recuperar?) os nervos do ouvinte incauto. No CD o impacto
da seqüência diminui um pouco.
Mas não pensem, a partir do exposto, que eu sou
saudosista. Só pela vantagem de poder ser ouvido no carro o CD já é
melhor.
Por outro lado, o carinho que tenho pela minha
coleção de cerca de 700 LPs é enorme. Não que eu pegue meus bolachões e fique
pensando: "eu ouvia isso quando eu era assim ou assado" como um bom saudosista
faria, nada disso. O LP, para mim, é um excelente controle de qualidade
musical: em outras palavras, se eu ainda consigo ouvir um disco depois de tantos
anos é por que ele "é bom".
E o que eu ainda escuto em LP? Morrissey. Smiths.
Stone Roses. Doors. Beatles. Mais uma ou outra coisa de música pop.
Mas o que eu faço mais freqüentemente com
meus LPs, e que me dá um enorme prazer, é colocar bons discos de música
clássica ou de jazz para ouvir de madrugada - como estou fazendo agora
aliás, com o Orgelbüchlein de Bach que o Gil me deu de presente.
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