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3:10 p.m. - 2004-12-14 Algumas Obsessões
Bona
Drag, uma
coletânea de singles lançados entre 1987 e 1989, foi o primeiro LP
lançado pelo cantor após o extremamente bem-sucedido Viva Hate, que
marcava o início da carreira solo do ex-frontman da legendária banda Smiths. A
crítica odiou. A extinta revista Bizz, por exemplo, chamou Bona Drag de
um conjunto de canções anódinas. Mas é
impressionante como os discos de Morrissey melhoram com o tempo.
Eu
mesmo só fui comprar o disco quando resolvi, em 1992, completar a coleção do
cantor inglês. Gostei muito, de cara (influenciado pela crítica?), da dramática
November spawned a monster (o clipe, que vi algum tempo depois, é das
coisas mais estranhas que o cantor inglês fez na vida) mas o resto me pareceu
apenas razoável - nem tão bom quanto eu esperava, nem tão ruim quanto a crítica
dizia. Mas
Bona Drag foi melhorando aos poucos. Um belo dia comecei a sorrir quando
ouvi aquele tema marcante e bem-humorado de Picadilly Palare. Só fui
perceber que Hairdresser on fire é uma canção sensacional quando
Morrissey começou o show de Curitiba com ela. Ouija board, ouija board
ficou legal depois que assisti várias vezes o clipe - interessantíssimo, com
aquelas bruxas todas. Basta que eu fique um tempinho sem escutar The last of
international playboys para que comece achá-la ótima. A dramática He
knows I'd love to see him ficou boa depois que conheci a versão ao vivo no
disco Beethoven was deaf. E só fui perceber como Will never marry
é pungente e melodiosa depois de ouvi-la no final do vídeo Introducing
Morrissey, de 1994. Verdade
é que Bona Drag não é um disco perfeito. Tem Suedehead e
Everyday is like sunday de novo, depois de terem sido lançadas em Viva
hate (e eu adoro estas duas). E é difícil defender Yes, I am blind,
lenta demais. Mas é impressionante - e quase sobrenatural, eu poderia
acrescentar - como um punhado de canções, a maioria delas simples e
aparentemente despretensiosas, podem deixar o ouvinte tão
feliz.
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