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3:03 p.m. - 2004-12-14 Algumas Obsessões
Era terrível vê-la sofrendo para urinar um pouquinho que fosse, o dia todo. Também tomava grandes quantidades de água - tudo culpa da diabetes que a estava matando. Agora havia urina pela casa toda - logo a Chérie que sempre fez xixi certinho no jornal. Ela tinha problemas na pele, já tinha quebrado a perna, já tinha operado um tumor benigno externo, já tinha padecido numa série de operações devidas a problemas no aparelho urinário - e que simplesmente não cicatrizavam. Frequentemente aparecia sangue na sua urina. Há um bom tempo dizíamos uns aos outros para termos paciência com a Chérie, pois ela estava doente. Agora era o fim. Tremia o dia todo, e a única dose de insulina que recebeu não resolveu nada, muito pelo contrário. O veterinário não quis me dizer, mas tinha percebido sangue nas suas fezes - que ela tinha voltado a ter sangue na urina eu já tinha visto. Seus olhos já não tinham mais vida. Eu tinha chorado, sozinho com ela, na antevéspera de seu dia final. Ao darmos a última volta de carro com a Chérie seus olhos vibraram. Quando a voluntária que estava na Clínica Veterinária disse que achava que nós não deveríamos sacrificá-la ela voltou a tremer. É como se ela quisesse dizer: "veja, sua imbecil, eu estou realmente doente". Fomos ficar com ela nos seus momentos finais, apesar de não ter sido idéia minha. Ela tomou um forte anestésico, dormiu e depois tomou duas injeções de cloreto de potássio. Teve um ataque de coração induzido e morreu, sendo agradada pela Valéria até o fim. Eu segurei o choro na hora, e chorei como uma criança no carro. -------------------------------------------------------------------------------------- Na defesa da minha dissertação de mestrado o orientador tinha perguntado quem era a Chérie. Afinal, eu tinha agradecido mulher, mãe e filha, e a ela eu tinha reservado um "muito obrigado à Chérie, minha incansável companheira nos muitos finais de semana e madrugadas na frente do computador". Se fosse mesmo definir a Chérie em duas palavras, estas seriam provavelmente "sempre junto". Não estamos mais junto com ela - mas aproveitamos ao máximo sua presença, seu carinho e sua amizade enquanto esteve por aqui. Tchau Chérie, até um dia.
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