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3:35 p.m. - 2004-12-14 Algumas Obsessões
Quem é o maior jogador de futebol de todos os
tempos? A pergunta é complicada de responder principalmente por que se jogava,
há algumas décadas, utilizando-se muito menos preparo físico do que hoje em dia.
Assistir agora às partidas da Copa de 70, por exemplo, dá sono. O jogo era
muito mais lento do que o que se pratica atualmente - digam o que
disserem. Mesmo tendo isso em mente, é impossível não se
maravilhar com as jogadas de Pelé em Pelé Eterno. O ponto alto do
brilhante documentário de Aníbal Massaíni é pesquisa de registros filmados de
jogadas do grande craque - o diretor chegou a buscar fitas com lances do jogador
em diversos países do mundo. O resultado é deslumbrante: ao contrário dos
documentários e reportagens de sempre - que costumam passar as mesmas jogadas do
rei do futebol -, a quantidade de lances raros (que pouquíssimas pessoas da
minha idade, por exemplo, já tinham visto) presente em Pelé Eterno é
simplesmente extraordinária: são mostrados cerca de 400 gols, além de diversos
lances como dribles, passes, faltas - e mesmo jogadas onde ele ajudava na
defesa. O que Pelé fazia com a bola era praticamente
inacreditável: chutes com as duas pernas, de perto e de longe do gol; cabeçadas
certeiras; dribles fantásticos deixando filas de marcadores para trás; passes
perfeitos para companheiros melhor colocados; gols de falta; dribles utilizando
as pernas dos adverários (!) para a sua própria progressão. Seqüências
espantosas de lances espetaculares fazem com que o público chegue a rir de
felicidade em diversos momentos do documentário. Mas Pelé Eterno não mostra apenas as
jogadas do craque: o filme conta a história de Pelé a partir de depoimentos
(inclusive do próprio jogador) e imagens de arquivo. O tom do documentário é
laudatório além da conta, o que cansa um pouco - mas, verdade seja dita, o
próprio Édson Arantes do Nascimento quis que fossem citados alguns pontos
obscuros de sua biografia, como o fato dele só ter reconhecido judicialmente
uma das filhas de fora do casamento e alguns problemas com negócios (mas o
escândalo de desvio de dinheiro da Fifa não é comentado). Bastante
interessantes, por outro lado, são os trechos que apresentam fatos lendários da
carreira do craque, como uma vez em que a ida de Pelé ao Congo fez com que as
partes em conflito numa guerra travassem um armistício, e o caso de um jogo na
Colômbia onde a torcida "expulsou" um juiz que expusara o grande jogador do
Santos - o público local, afinal de contas, tinha ido ao estádio para ver o
craque e não o juiz. Somando tudo, Pelé Eterno é um filme
obrigatório para quem gosta de futebol - mesmo para aqueles que não gostam do
homem Édson Arantes do Nascimento.
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