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3:07 p.m. - 2004-12-15 A foreign sound, de Caetano
Veloso
É um fato que o auge da chamada MPB deu-se nas
décadas de 60 e 70. Além do esgotamento natural, a abertura
política acabou, ironicamente, fazendo com que o estilo entrasse em
decadência depois da década de 80 - mas pouca gente cita um detalhe que, para
mim, foi decisivo para a piora do estilo: estou falando daquele
horrendo contrabaixo elétrico que estraga as faixas de grande parte dos
álbuns da MPB da época - quem já ouviu o álbum Encontros e
Despedidas, de Milton Nascimento, sabe do que estou falando.
Agora, em 2004, um grande nome da MPB
- Caetano Veloso - resolve cantar um disco em inglês com
standards da música americana. A primeira coisa que me veio à
cabeça quando soube disso é que havia uma chance real deste ser um álbum do
nível do maravilhoso Fina Estampa, de 1994 - onde o baiano canta,
de maneira absolutamente repousante e deliciosa, clássicos do
repertório hispano-americano. Havia a possibilidade também, claro, deste
novo disco ter apenas covers "vanguardistas" e pretensiosas - como boa
parte daquelas da coletânea Caetano Canta, de 2001.
Quando finalmente tive em mãos A foreign
sound (Universal Music), percebi com alegria que o disco em inglês de
Caetano parece muito mais com Fina estampa do que
com Caetano Canta: há, sim, os experimentos (ou
maneirismos?) harmônicos e vocais de Caetano, que irritam em faixas
como It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding), de Bob Dylan
e Detached, de Arto Lindsay. Mas são exceções neste belo
disco que, mesmo com algumas falhas aqui e ali, cresce a cada
audição - e que fica melhor, quanto mais tarde da noite for
ouvido.
A verdade é que
A Foreign Sound é o típico disco que você pode colocar, sem erro,
para ouvir quando está dirigindo numa estrada tranqüila ou trabalhando sozinho à
noite. Assim como em Fina Estampa a voz de Caetano está
extremamente relaxante, tranqüila e de bom gosto: a sua versão de Love
me tender, por exemplo, é literalmente cantada como
um acalanto.
Mas o que realmente me surpreendeu em A Foreign
Sound é como o disco em inglês de Caetano é, na maior parte das
faixas, um disco da melhor MPB - aquela dos "bons tempos", quando ainda não
havia aquele horrendo contrabaixo elétrico supracitado. As versões
sutilmente bossa-novísticas de So In Love, The Man I Love,
There Will Never Be Another You são alguns dos exemplos de como Caetano
Veloso continua um mestre, mesmo cantando em inglês, da tal Música Popular
Brasileira.
P.S.: Você deve estar querendo saber minha opinião
sobre a música do Nirvana, não é? Ela começa bem, mas se perde um pouco no
desenvolvimento: em outras palavras, nem tão ruim quanto querem seus detratores,
nem tão boa quanto dizem seus defensores. Simples assim.
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