Get your own
 diary at DiaryLand.com! contact me older entries newest entry

3:14 p.m. - 2004-12-14
Os cientistas de Hitler: ciência, guerra e o pacto com o demônio

Algumas Obsessões
Fabricio


Os cientistas de Hitler: ciência, guerra e o pacto com o demônio

Fatos. Muitos fatos. Centenas de fatos. Tantos fatos que a leitura de Os cientistas de Hitler: ciência, guerra e o pacto com o demônio, de John Cornwell (tradução: Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Editora Imago, 2003. 472pp) cansa bastante.

Nem sei por que esperava outra coisa: um livro de 472 páginas que pretende descrever toda a ciência alemã da época do nazismo teria que tratar de vários assuntos mesmo, e todos rapidamente. Mas isso nem é tudo, já que Joseph Cornwell é ainda mais extensivo do que sugere o título: ele só chega no período nazista na página 119; e da página 341 em diante o livro trata do pós-guerra. Definitivamente o objetivo do autor era grandioso, e não se pode, em sã consciência, dizer que ele não o tenha atingido.

A introdução chama-se Entendendo os alemães: como uma país tão desenvolvido e civilizado chegou na barbárie nazista? Ao invés de grandes teorias que tratam de tudo, Joseph Cornwell, desde o início, concentra-se quase que unicamente na ciência - e sempre que o assunto é este, o autor não nota assim uma diferença tão fundamental entre cientistas aliados ou nazistas.

Então começam os fatos. Na primeira parte são descritos: as estranhas idéias científicas do diletante Hitler; como os alemães eram os maiores do mundo, antes da Primeira Guerra Mundial, em vários campos da ciência - notadamente na química (é apresentada uma descrição do uso de gases venenosos naquela guerra); a origem e o desenvolvimento da racista "ciência" da higiene racial; de que maneira, bem antes de Hitler, os alemães já pensavam em termos de melhorar a espécie, eliminando ou esterilizando deficientes.

A segunda parte trata da ciência entre-guerras, com o início das idéias nazistas que consideravam a relatividade uma física de judeus.

A terceira parte vai do início do governo de Hitler até o começo da guerra. Entre os principais assuntos tratados destacam-se: as demissões dos cientistas judeus, que desfalcaram profundamente a ciência alemã; o início do programa de foguetes não tripulados, que vieram a aterrorizar Londres durante a guerra; como alguns ramos da medicina evoluíram a contento sob Hitler, notadamente o controle do câncer; de que forma a ciência Geopolítica foi criada, e como ela foi usada para defender a abominável teoria do Espaço Vital - Lebensraum; a criação das absurdas matemática nazista e física nazista; quais as esdrúxulas idéias sobre ciência Himmler, o chefe das S.S.

Nas partes quatro a seis de Entendendo os alemãs o assunto é o período da guerra: as novas tecnologias belicosas; o desenvolvimento dos radares e dos incríveis códigos secretos dos alemães, que eram tão complexos que pareciam inexpugnáveis - apenas pareciam; como os cientistas alemães - inclusive Von Braun, que depois veio a ser o criador do Projeto Apolo da NASA - utilizaram trabalho escravo em suas experiência; os pavorosos experimentos com seres humanos, perpetrados pelos médicos nazistas. Importantíssima nesta parte do livro é a descrição da corrida à bomba atômica: de que forma os aliados chegaram lá, e os alemães não. Segundo Cornwell, o grande físico Heisenberg não foi o herói que retardou conscientemente o programa atômico nazista: ele simplesmente era teórico demais - além de se dispersar em diversas outras atividades - para chegar neste objetivo.

Na sétima parte o autor descreve o que aconteceu com os grandes cientistas alemães no pós-guerra: os que foram para o lado aliado acabaram tendo carreiras bem mais brilhantes do que aqueles que acabaram ficando com os russos.

Finalmente, no trecho final de Os Cientistas de Hitler o autor discute a ética atual dos cientistas. Bem resumido - e tentando evitar uma resenha tão cansativa quanto o livro -, Joseph Cornwell conclui que os cientistas estão errados quando acham que a ciência é pura e totalmente desvinculada do que o que os outros - população e governantes - vão fazer com a suas descobertas (por exemplo, clonagem, transgênicos, novas bombas).

Está mais do que na hora de que os cientistas saibam que não há ciência sem responsabilidade, conclui Cornwell - e eu não poderia deixar de concordar, claro.

 

previous - next

about me - read my profile! read other Diar
yLand diaries! recommend my diary to a friend! Get
 your own fun + free diary at DiaryLand.com!