Algumas Obsessões
Fabricio
Viagem à Itália
Um dos maiores escândalos da história do cinema foi a união entre a
atriz sueca Ingrid Bergman e o diretor Roberto Rosselini, já que ela era casada
e se separou de seu então marido para viver um tórrido caso de amor - então
bastante criticado, devido à mentalidade do início dos anos 50 – com o grande
realizador italiano.
Além da belíssima filha Isabella Rosselini,
esta rumorosa união rendeu ótimos frutos cinematográficos: Rosselini dirigiu
seis filmes onde sua amada Ingrid atuou como personagem principal - um dos
quais, Viagem à Itália, é o analisado aqui.
O filme conta a
história de um casal de ingleses - Alex (George Sanders) e Katherine Joyce
(Ingrid Bergman) que faz uma visita à região de Nápoles, na Itália, para vender
uma casa que ele havia recebido de herança de um tio. E é na distância da rotina
inglesa que as diferenças do casal começam a aparecer: Katherine é romântica e
sonhadora, o que irrita o frio e racional Alex.
Os dois começam a
se desentender e passam cada vez mais tempo distantes um do outro: enquanto ele
vai à ilha de Capri procurar a companhia de amigos e de mulheres ela faz,
sozinha, viagens turísticas na região de Nápoles. A situação entre os dois fica
cada vez mais insustentável, e eles acabam decidindo se separar - mas a
reconciliação é emocionante.
O que é notável neste filme de
Rosselini é a sua desdramatização: contada por um Bergman, um história
dessas seria tão tensa que deixaria o espectador sem fôlego. Mas a praia de
Rosselini é outra. O filme, apesar de curto, mas tem longas cenas com Ingrid
Bergman visitando museus ou uma região vulcânica: em certos momentos a impressão
que temos é que estamos assistindo a um documentário. Mesmo as cenas de
discussão são estranhamente calmas. Viagem à Itália é um filme que flui
sem obstáculos, tranqüilo - e sempre interessante, é preciso que se frise.
Rosselini filmava sem roteiros prontos, deixando tudo na base do improviso -
seria por isso que a história parece contada de maneira tão natural?
De todo o modo, o que fica para o espectador é que, apesar de
Viagem à Itália não impressionar fortemente desde o início - como seria o
caso se o diretor fosse (desculpem repetir o exemplo) Ingmar Bergman -, quando o
final do filme chega já estamos absolutamente maravilhados.