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3:18 p.m. - 2004-12-14 Algumas Obsessões
O rock 'n' roll é um fenômeno meteórico
que existiu, segundo Charlie Gillet, apenas de 1954 a 1958 e só nos Estados
Unidos - e já no começo dos anos 60 ele já era dado como morto. O que veio
depois (principalmente depois da chamada "Invasão Britânica" com Beatles e
companhia) se chama rock. E é sobre este "fenômeno meteórico" que
trata o pequeno livro (de 100 páginas) do jornalista José Augusto Lemos chamado
Rock 'n' Roll, da Coleção Para Saber Mais, editada pela Revista
Superinteressante, da Editora Abril. A maior parte de Rock 'n' Roll trata das
origens deste estilo musical: fora alguns comentários dispersos aqui e ali, o
livro só se concentra mesmo no período de 1954 a 1958 em seu início - até mais
ou menos a página 23 - e em seu final, das páginas 83 a 90 (dali em diante é
apresentada uma genealogia e uma discografia básica). O relato de José Augusto Lemos é fascinante.
Ficamos sabendo que rock and roll ("balançar e rolar") já era um termo
comum em letras de diversos estilos, bem antes do pontapé inicial do gênero,
dado mesmo pela canção Rock Around The Clock, de Bill Haley and His
Comets. Entramos em contato com personagens que hoje estão na semi-obscuridade,
como os cantores e/ou compositores Charlie Patton (blues), Thomas A.
Dorsey (gospel), Clarence "Pinetop" Smith (boogie woogie), Jimmy
Rodgers (hillbilly), Bob Wills & His Texas Playboys (western
swing). Descobrimos de que forma uma grande quantidade de estilos (entre
eles o jazz, o blues, o country, o
swing, o rhythm & blues e o bluegrass) influenciou
decisivamente no surgimento do rock 'n' roll. Tudo isto com o estilo ágil e fascinante de
José Augusto Lemos que, além de seu inegável talento, é um dos jornalistas que
mais demonstram gostar do que estão fazendo. O prazer que ele sente ao escrever
fica claro para o leitor em cada linha desta pequena pérola que é o livro
Rock 'n' Roll. P.S.: José Augusto Lemos é um ídolo da minha
adolescência, conforme conto neste texto de 2001. A verdade é que eu não tinha idéia se - agora
em 2004 - eu ia gostar tanto do que ele escreve como eu gostava em 1987: com
Rock 'n' Roll acabei percebendo que minha admiração por ele não diminui
em nada nestes anos todos - aliás,
muito pelo contrário: acabei tomando consciência de como o estilo dele acabou
influenciando - sem que eu tivesse a mínima idéia consciente disso - o meu
próprio jeito de escrever. Sei que vocês devem estar pensando: "José
Augusto Lemos merece um discípulo melhor!", no que eu concordo totalmente.
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