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3:16 p.m. - 2004-12-14 Algumas Obsessões
Houve um tempo em que eu esperava o nome do diretor aparecer nos créditos dos filmes que passavam na TV para saber se eles mereciam ou não ser vistos. Naquela época, era grande minha alegria se o diretor fosse um daqueles cujo nome era verbete de uma enciclopédia. Foi-me portanto uma feliz surpresa ter visto o nome de Pier Paolo Pasolini no final dos créditos do filme Mamma Roma, numa seção noturna da TV Globo há provavelmente mais de vinte anos. Lembro que fiquei impressionado com a história, e também pelo fato do filme ter sido fácil de ser compreendido - ao contrário de outros filmes recomendados pelas enciclopédias. A história da prostituta romana, a Mamma Roma, que tenta esconder seu modo de ganhar a vida do filho amado me pareceu enormemente pungente. O filme acabava mal, com o rapaz se revoltando quando descobre a verdade sobre a mãe - eu jamais esqueci da cena final. A verdade é que na época foi-me um orgulho ter assistido - e gostado - de um filme de Pier Paolo Pasolini. Muitos anos depois, há alguns dias para ser mais exato, vi numa locadora Mamma Roma finalmente lançado em DVD. Na primeira oportunidade, peguei o filme - muitas cenas ainda estavam grudadas na minha memória, precisava assisti-lo de novo para ver o que achava dele depois de tanto tempo. Na verdade, eu lembrava de algumas cenas, não do filme todo: não lembrava do triste caso do rapaz com a moça fácil do bairro; não lembrava que ele também roubava, e este foi o principal motivo do triste fim da história; não lembrava que o filho viveu longe da mãe, no interior, durante boa parte de sua vida por que ela não queria que ele estivesse por perto enquanto ela se prostituía; não lembrava que a Mamma Roma o traz para Roma e aí, como feirante e diarista, tenta largar a prostituição e não consegue por causa de um ex-namorado chantagista. Eu não tenho bem certeza se não lembrava ou se não entendi certas sutilezas da história. Mas isso importa pouco. Na verdade, Mamma Roma, assim como O Evangelho
segundo Mateus - comentado aqui há algumas semanas - também tem
atores que parecem amadores, sempre pouco à vontade diante das câmeras. Tem a
famosa Anna Magnani como a personagem título – que mostra, sim, ser uma grande
atriz, mas meio exagerada demais para o meu gosto. É um filme barato, dramático, com personagens desorientados,
perdidos. Não há esperança em Mamma Roma. É um grande filme? Não sei. A verdade é que - ao contrário do supracitado O Evangelho segundo Mateus, hoje meu filme preferido - o seu impacto diminuiu, e muito, da primeira para a segunda vez que o vi.
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