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2:39 p.m. - 2004-12-14 Algumas Obsessões
Em
que ano foi? Sei eu. Se fosse pra chutar, chutava 1980, 1985. Foi
quando passou Psicose, clássico de
Alfred Hitchcock, na televisão. Foi o assunto da semana nas redondezas. Muitos
conhecidos assistiram ao filme, e comentaram comigo sobre os sustos que levaram,
sobre o medo, e sobre o porquê do Norman Bates agir daquele
jeito. De
todo o modo, eu não tinha visto o
filme. Pior do que isso, vi a cena final - e não esqueci dela de lá pra
cá. Claro,
eu queria ver o filme inteiro. Mas
não sei bem por que, Psicose não
passou de novo. E não havia cópia em vídeo. Tudo
bem. Se um dia calhasse, eu pensava, eu assistiria ao filme - o que, finalmente,
aconteceu no final da semana passada. Vi Psicose no Telecine Classic, este canal
que já está se me tornando um vício. A
primeira coisa que chama a atenção neste clássico de Hitchcock é a belíssima
fotografia em preto-e-branco, com tonalidades bem
contrastantes. Depois,
claro, a cena da punhalada no banheiro. E aquela outra, do sujeito caindo na
escada, que tinha visto muitas vezes mas que não lembrava
direito. O
que posso contar do enredo? Uma mulher dá um desfalque enorme, vai se hospedar
no Motel Bates - que tem pouquíssimos clientes - e é assassinada. A principal
suspeita é a mãe do dono do Motel, Norman Bates - um sujeito estranho e recluso.
No restante do filme este crime vai sendo desvendado. A
história é contada de maneira formidável, e o suspense é intenso - mas, neste
quesito em particular, outros filmes de Hitchcock como Um corpo que cai e Trama macabra são
superiores. Na
verdade, além da famosa cena da punhalada, é a soberba atuação de Anthony
Perkins como Norman Bates que realmente chama a atenção em Psicose. No início do filme, ele tem um
sorriso franco e infantil, cativante mesmo. E a passagem deste estado de
espírito aparentemente feliz para outros, mais sombrios, é totalmente
convincente - coisa de gênio. Como
se sabe, Anthony Perkins tentou outros papéis mas jamais conseguiu se livrar do
estigma de Norman Bates. Uma pena, realmente. Mas,
em termos de Arte com A maiúsculo, ele nem precisaria fazer mais
nada.
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