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2:41 p.m. - 2004-12-14
Meus discos preferidos - terceira parte

Algumas Obsessões
Fabricio


Meus discos preferidos - terceira parte

Neste site mesmo já publiquei duas relações (ver aqui e aqui) com meus álbuns preferidos. É claro que, com o tempo, alguns outros discos acabam querendo entrar na lista também.

Desta terceira parte constam tanto álbuns que não deveriam mesmo ter entrado antes, como discos que só vim a conhecer - ou gostar realmente - mais tarde.

Os números de ordem abaixo não significam, portanto, grande coisa.

 

38. Morrissey: Bona Drag

A cada vez que lembro deste disco penso na alegria contagiante de Picadilly Palare, a primeira do lado A. Mas tem mais: Oujia Board (que parece boba, e só melhora com o tempo), Will Never Marry (quem viu até o fim o vídeo Introducing Morrissey pode ter uma idéia do quanto esta música pode ser bela), Haidresser on Fire (a primeira cantada no show de Curitiba) e a pungente Lucky Lisp.

Morrissey, meus amigos, é Morrissey.

 

39. 2pac Shakur: All Eyez on Me

Graças ao meu amigo Abonico descobri esta maravilha. Eu até gostava de 2pac, mas só quando o Abonico pediu para que eu fizesse uma crítica para o Bacana e me emprestou All Eyez On Me comecei a ouvir sem parar a obra do rapper assassinado em 1996. Para ser sincero, nem tenho mais assim tanta certeza de que Snoop Doggy Dogg seja mesmo o melhor cantor de rap de todos os tempos: afinal de contas, pouquíssimas pessoas cantam com a alma que 2pac cantava. É só ouvir Only God Can Judge Me, Ambitionz Az A Ridah e a maravilhosa Life Goes On para que se tenha uma idéia do que estou falando. Mas citar só três músicas é covardia. All Eyez On Me é o primeiro álbum duplo com músicas originais da história do rap, e é impressionante como a qualidade não cai em, praticamente, momento nenhum. Não é à toa que o álbum vendeu seis milhões de cópias.

Abonico, você tem certeza que quer o disco de volta?

 

40. Lester Young: "Pres" Vol. IV

Este é um disco perfeito de jazz. Uma prova definitiva de que o saxofone pode ser divino - apesar de todos os esforços que a música pop tem feito, ao longo dos anos, para destruir o intrumento. Este disco gravado ao vivo em Washington, D.C., em 1956 é tranqüilo, gostoso e absolutamente viciante - outra palavra boa para defini-lo seria "aconchegante". Chego a deixá-lo semanas e semanas na minha vitrola, em casa, para poder ouvi-lo à noite.

O único problema desta maravilha é quando lembro que este é o vol. 4, e que na adolescência quase comprei os demais volumes.

 

41. Franz Schubert: Hyperion Schubert Edition vol. 23, com Christoph Prégardien, tenor, e Graham Johnson, piano

Aqui escrevi que estava em dúvida se colocava este ou o Die schöne Müllerin, com o tenor Peter Schreier, na minha lista de discos preferidos. O vol. 23 da Coleção Hyperion (que apresenta a coleção completa de canções de Schubert) contém a primeira parte dos lieder compostos por Schubert em 1816. É impressionante a variação de estados de ânimo das composições, da alegria esfuziante (Die Liebesgötter D446) à tristeza profunda (Wer sich der Einsamkeit ergibt D478 n.1), passando pela melancolia (Geist der Liebe D414). Além disso, poucos discos de Schubert (ou na história) apresentam tantas melodias simplesmente inesquecíveis (alguns poucos exemplos: An die Türen will ich schleichen, D478 n.3, Der Entfernen D350, Abschied von der Harfe D406, Der Jüngling an der Quelle, D300; Der Abendlied D382, Der Leidende D432, Die Knabenzeit D400). Tudo isto com a, ao mesmo tempo sutil e poderosa, interpretação de Christoph Prégardien.

Quem fala que os Beatles eram os maiores melodistas da história deveria ouvir Schubert antes.

 

42. Korn: Korn

No meu diário eu descrevo uma enorme bagunça ao som deste disco.

Bem, mas mesmo sem essa bela lembrança o primeiro lançamento do Korn já seria impressionante. A loucura circular de Clown, a obsessão de Divine, os sussurros e impropérios de Faget, a tempestade de Lies, a hipnotizante Helmet in the Bush formam um todo assustador. Foi o primeiro disco do - quase sempre - injustamente mal-falado nu-metal.

Como diz o meu amigo Gil, quem poderia imaginar que o rock, que nos primórdios era cantado por gente como Chuck Berry e  Elvis Presley, ia chegar um dia nisto.

 

43. Eminem: The Eminem Show

Confesso: eu praticamente não me interesso por letras de músicas, com pouquíssimas exceções: Morrissey, claro, algumas do Lou Reed, Robert Johnson e... Eminem. O rapper branco, quase sempre politicamente incorreto, é inegavelmente um exímio construtor de frases.

The Eminem Show, o mais recente disco solo dele, é uma prova acabada disto: com a mesma maestria ele provoca (Soldier, Square Dance), mostra-se deliciosamente insano (Without Me, My Dad's Gone Crazy, Superman), e comove - seja xingando a mãe (Cleaning out my closet), seja defendendo-se das acusações que recebe (Sing for The Moment), seja falando de sua arte ('Till I Collapse). Mas o melhor mesmo é quando Eminem fala da sua filha (Haillie's Song).

E tudo isto com a produção cinco estrelas de Dr. Dre, e cantado com uma garra que não fica muito a dever a 2pac.

 

44. Johann Sebastian Bach: Lieder aus Schemellis Gesangbuch, com Peter Schreir, tenor, e Karl Richter, órgão

Na verdade, sei  muito pouco sobre estas Canções do caderno de Schemelli. Em todas as publicações que li sobre Bach (ok, nem foram tantas assim) nada é comentado sobre esta série de canções acompanhadas com órgão. No encarte do disco, é apenas contada uma história sobre o grande organista Karl Richter - sobre a obra, apenas é mencionado que se as canções "fossem tocadas e cantadas exatamente conforme a página impressa, imagino que elas pudessem parecer um tanto tediosas" (!) - para depois que concluir que elas não o são por causa da improvisação e do acompanhamento de Karl Richter.

Na verdade, nada disso importa. O que importa é ouvir a emocionante voz de Peter Schreier cantando aquelas melodias de sonho, com o órgão de igreja criando uma atmosfera fortemente espiritual.

 

45. The Velvet Underground and Nico

Este é provavelmente o álbum mais influente de rock de todos os tempos. A lista de bandas que devem boa parte de sua arte por causa dele não só é gigantesca como variada: se pode sentir a forte presença do famoso "disco da banana" do Velvet Underground tanto bandas suaves como Belle and Sebastian como em bandas mais agressivas como Sonic Youth.

Tudo isso, claro, é chover no molhado.

O que eu posso dizer é que se este disco tivesse apenas as canções Sunday Morning, I'll be your mirror, Heroin e, principalmente, Venus in furs, eu já iria inseri-lo aqui.

 

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